24/11/2010
Senhoras e senhores, trago boas novas. Já é possível enfrentar um engarrafamento monstruoso em um grande carro de luxo sem se sentir culpado por estar lançando baforadas de poluição na atmosfera. Infelizmente, o paraíso verde tem seu preço: R$ 133.900, o valor pedido pela Ford por um Fusion Hybrid no Brasil - são R$ 30 mil a mais do que a versão V6. É caro, é para poucos, mas nos faz sonhar com um futuro mais limpo, sem abrir mão do prazer.
Funciona assim: um motor a eletricidade trabalha em conjunto com o que queima gasolina. Em velocidades de até 75km/h e com pé leve no acelerador, dá para andar usando apenas a energia elétrica. Nesta condição, não há emissão de poluentes. O carro emite menos de 10% do que será tolerado pela sexta fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) que só passa a vigorar em 2015.
Ao destravar a porta, O painel do Fusion Hybrid se ilumina, e ao redor do velocímetro surgem nuvens digitais.
O show começa quando destravo a porta. O painel do Fusion Hybrid se ilumina, e ao redor do velocímetro surgem nuvens digitais. Giro a chave e o céu dá lugar a uma série de informações: carga da bateria, conta-giros (que é substituído por barras verdes e azuis quando o motor elétrico entra em ação sozinho), nível de combustível, consumo instantâneo e uns galhos com folhas. É um jogo. Quanto menos gasolina o sedã consumir, mais verdejante será a planta.
É como ligar um carro 100% elétrico: não se escuta nada após dar a partida, pois o motor a gasolina só vai atuar quando necessário. O Fusion começa a se mover em silêncio na saída da garagem, e vai impulsionado pela eletricidade até o acesso à avenida que vai nos levar a Marginal Pinheiros, em São Paulo. Acelero para entrar na avenida e os quatro cilindros começam a trabalhar.
É um carro realmente inteligente, o sedã híbrido da Ford sabe do que o motorista precisa. Uma catucada mais forte no acelerador acorda o motor 2.5 16v sem alarde: a passagem da eletricidade para a combustão é tão sutil que passa despercebida.
Sedã inteligente: um motor a eletricidade trabalha em conjunto com o que queima gasolina.
Na estrada, a cada ultrapassagem, o motor elétrico entra em ação para aumentar o torque. O câmbio CVT de combinações infinitas de marcha trabalha à perfeição e o sedã deslancha como um peso pluma - nem parece ter 1.687 quilos... A potência combinada dos motores é de 193cv.
Trouxe o carro de São Paulo até Niterói e fiz apenas duas paradas rápidas - dirigir o Fusion não cansa, a suspensão é macia (mas não a ponto de deixar o carro bobo) e os pneus Michelin com baixa resistência à rolagem não fazem barulho.
Ao volante, as impressões misturam referências da versão V6 (retomadas vigorosas) e do 2.5 Duratec a gasolina (funcionamento suave). Encontrei o trânsito amarrado no acesso à Ponte pela Avenida Brasil, e aproveitei para desligar e religar o motor (ou melhor, motores) para zerar as marcações e ver quanto gastaria de combustível até Icaraí - no fim de cada percurso, o painel exibe informações do trecho, como distância, tempo e consumo.
Quanto maior o engarrafamento, menor o consumo
O motor elétrico trabalhou quase sozinho nos 26 quilômetros de engarrafamento, percorridos em 1 hora e 25 minutos. O consumo? Apenas 1,24 litro de gasolina, consumo médio de 20,9km/l. Quanto pior o congestionamento, menor o gasto de combustível...
Na estrada, a média ficou em 15km/l. E na cidade, com trânsito sem retenções, em 13,9km/l. O bolso agradece. E o meio ambiente também. Imagine o impacto positivo de uma frota inteira de carros híbridos rodando em baixa velocidade e, assim, usando apenas o motor elétrico? O céu das grandes cidades ficaria mais claro.
Para justificar o preço, a Ford pôs no Fusion Hybrid todos os equipamentos disponíveiso. O carro vem com câmera de ré, teto solar, sete airbags e todos os equipamentos de conforto esperados para o segmento. O grande destaque é o sistema de som e imagem Sync. Com 20Gb de memória interna, tem tela sensível ao toque, entradas auxiliares e leitor de DVD. É uma central multimídia, que concentra também comandos do ar-condicionado digital e as configurações pessoais do motorista.
Ao volante, as impressões misturam referências da versão V6 (retomadas vigorosas) e do 2.5 Duratec a gasolina (funcionamento suave).
Outra novidade é o monitoramento dos pontos cegos. Sempre que um carro ou moto está em uma das laterais do carro, um sinal luminoso laranja se acende na borda do retrovisor, pedindo cuidado ao trocar de faixa. Foi uma ajuda e tanto no trânsito paulistano, repleto de motoboys.
Uma das coisas mais divertidas foi tentar superar a marca de consumo obtida no engarrafamento. Tentei usar o máximo do motor elétrico, dosando a aceleração. Contudo, há um empecilho: a capacidade da bateria. O motor a gasolina entra em ação em alguns momentos para garantir a recarga. Há também o sistema que aproveita a energia gerada nas frenagens - na descida da Serra das Araras, a barra de energia chegou a ficar completa. No uso cotidiano, mantém-se sempre no meio. Não há opção - nem necessidade - de
carregar o Fusion na tomada.
A autonomia é enorme: desde que enchemos o tanque pela primeira e única vez, já rodamos 400km - e o computador de bordo diz que ainda podemos andar outros 550km!
A hora de devolver o Fusion se aproxima. Uma pena, pois foi a experiência mais surpreendente que tive este ano. Que venham outros híbridos.
Fonte:
O Globo