29/04/2011
Pela primeira vez, a italiana Lamborghini espera vender mais carros de luxo para a China que para os Estados Unidos. “Acredito que a China se tornará nosso mercado mais importante neste ano”, disse o presidente Stephan Winkelmann em entrevista no Salão do Automóvel de Shangai, segundo reportagem da Bloomberg.
O otimismo da montadora se baseia no interesse “inacreditável” dos consumidores chineses pelo superesportivo Aventador LP 700-4, segundo Winkelmann. Ele afirma que todos os modelos produzidos até agora já foram comercializados – cerca de 5% dos compradores são chineses.
E as vendas para o país asiático devem crescer ainda mais no terceiro trimestre, quando os carros começam a ser entregues na China, diz o executivo. Já nos Estados Unidos, a demanda por carros de luxo ainda sofre com os efeitos da crise econômica.
Segundo a assessoria de imprensa da Lamborghini no Brasil, o modelo deve chegar por aqui em agosto deste ano. O preço ainda não foi divulgado, mas o mercado estima que o superesportivo não sairá por menos de R$ 2 milhões. Na Europa, o carro é vendido por 255 mil euros (aproximadamente R$ 577 mil). Em 2011, a Lamborghini espera vender no Brasil entre 20 e 25 unidades do Aventador. O modelo foi criado pela empresa italiana para substituir o Murciélago.
No ano passado, as vendas mundiais da Lamborghini tiveram queda de 14%, para 1.302 veículos. Enquanto isso, as vendas para a China cresceram expressivos 158%, para 206 carros em 2010. Além do crescente interesse por modelos de luxo, o país é o maior consumidor mundial de automóveis e comerciais leves, com pouco mais de 18 milhões de veículos comercializados no ano passado. O número representa um aumento de 33% em comparação com 2009, segundo dados da associação de fabricantes do país (CAAM).
Gosto refinado
O caso da Lamborghini ilustra o grande apetite chinês por itens de luxo. Segundo estudo divulgado neste mês pela consultoria McKinsey, o país asiático responde hoje por aproximadamente 12% do mercado mundial de bens de luxo. Até 2015, essa fatia deve saltar para 22%, movimentando algo como US$ 27 bilhões (R$ 43 bilhões).
Segundo a consultoria, o crescente interesse dos chineses por itens caros e exclusivos pode ser explicado por três fatores principais: o rápido aumento de renda no país, a grande oferta de produtos de luxo e uma mudança de atitude da população com relação a ostentar riquezas. “Como nunca antes, mais consumidores chineses se sentem confortáveis para comprar bens de luxo”, diz a pesquisa.
Além da elite da China, o maior crescimento das vendas deve ocorrer na classe média alta do país, que engloba cerca de 13 milhões de famílias com renda entre R$ 24 mil e R$ 48 mil.
Fonte:
iG Economia (imagem: Rodrigo Mora)