18/05/2011
Vai faltar carro importado no mercado nacional
A medida de restrição do governo federal aos carros importados, se não for retirada em breve, vai gerar falta de modelos importados no mercado nacional, assinalam especialistas e representantes do setor automotivo. A imposição de licenças não automáticas significa que os automóveis importados terão de passar por aprovação prévia, que pode demorar até 60 dias para sair.
Trata-se de retaliação a prática adotada pela Argentina, mas como o governo brasileiro não poderia adotar essa medida contra um só país, para não desrespeitar normas da Organização Mundial do Comércio, a barreira vale para todas as importações de carros.
O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Sérgio Reze, avalia que, se o impasse perdurar por 30 dias, haverá transtornos, principalmente com o desabastecimento de modelos da Argentina, por causa da alta escala de vendas desses veículos para o Brasil. Um exemplo é o Agile, da General Motors, que no acumulado do ano até agora soma 27.803 unidades vendidas. Outro é o Ford Focus, que totaliza 9.359 unidades comercializadas.
O consultor automotivo Francisco Satkunas avalia que o impacto pode ser mais rápido. Para ele, em duas a três semanas, a medida já começará a surtir efeito, com a formação de filas de espera por esses modelos. "Esses produtos vão se esgotar", afirmou.
O presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, avaliou que, no curto prazo, não há risco de desabastecimento, mas destacou a importância da Argentina para a fabricante. "São 50 mil a 60 mil veículos por ano nos dois sentidos (do Brasil para o país vizinho e vice-versa)", assinalou.
COMPETIÇÃO - O governador Geraldo Alckmin apoiou as licenças não automáticas adotadas pelo governo federal. Para ele, nesse momento, de forte competição internacional, a medida é importante. Para ele, não se trata de imposição de barreiras, mas sim regras para as relações comerciais. Ele ressaltou que o Brasil precisa ficar atento à questão da competitividade.
REUNIÃO - Autoridades brasileiras e argentinas vão se reunir na próxima semana a fim de buscar solução para os conflitos comerciais entre os dois países. O encontro foi acertado ontem durante encontro da ministra argentina de Indústria, Débora Giorgi, com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Enio Cordeiro. (com AE)
QUINZENA - As vendas de veículos zero-quilômetro na primeira quinzena de maio caíram 6,08% na comparação com igual período do mês anterior, conforme dados da Fenabrave. Foram comercializados nos 15 dias iniciais deste mês 148.940 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, frente aos 158.581 do começo de abril.
para o presidente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo), Octávio Vallejo, a elevação dos juros, por causa das medidas para conter o crédito (a alta da taxa básica Selic e o aumento de garantias dos bancos para financiamentos de longo prazo, por exemplo) influi para a queda no mês. Ele acrescenta que, por enquanto, não há falta de modelos no mercado, já que ainda é muito cedo para o impacto das restrições impostas pelo governo federal aos importados.
CAMINHÕES - A Ford comemorou ontem, em evento com a presença do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Luiz Marinho, dez anos da fábrica de caminhões em São Bernardo.
A unidade fabril está em fase de renovação. A empresa acaba de iniciar a produção da Nova Linha Cargo 2012, que é parte do plano de investir US$ 670 milhões até 2013. Para aportar esses recursos, Oliveira destacou a importância do programa Pró-Veículos do governo estadual, que devolve, de forma antecipada, créditos de ICMS para fabricantes de veículos em contrapartida a investimentos no Estado.
Alckmin, que volta hoje à região - ele vem a Santo André para autorizar pacote de obras de urbanização de moradias -, assinalou que, no caso da Ford Caminhões, serão R$ 800 milhões devolvidos pelo governo. O montante inclui investimentos feitos em São Bernardo e também na unidade de motores de Taubaté.
Oliveira também assinalou o momento de crescimento e renovação da marca. A montadora, que hoje tem 17% de participação no mercado de caminhões, espera crescer em vendas até 20% neste ano.
A renovação inclui novidades para os clientes da empresa, como modelos com cabine leito, com os quais a montadora espera alcançar o transporte rodoviário de longa distância. Os modelos foram inteiramente desenvolvido pela engenharia brasileira da empresa. "São mais de 150 engenheiros dedicados à área de veículos comerciais no Brasil", afirmou o executivo.
O lançamento trouxe também reforço no quadro de funcionários, com a incorporação de 100 empregos. A fábrica conta com 4.800 postos de trabalho.
Outro diferencial da unidade, disse Oliveira, é a produtividade. São produzidos 22 caminhões por hora, um dos melhores resultados do setor no País.